Vejo um potencial para as tecnologias digitais: alcançar a paz mundial

Smartphones, notebooks e toda a parafernália digital que nos cerca geram preocupação. Estariam esses dispositivos prejudicando os jovens? Navegar pela internet supostamente afeta todos com distúrbios de hiperatividade e
déficit de atenção, deixando-os incapazes de ler qualquer coisa mais longa que uma tuitada. As redes sociais encorajam as crianças a se tornar obsessivamente exibicionistas, como os participantes dos reality shows da TV. A transparência derruba a privacidade. Estamos condenados!

Digam que sou ingênuo, mas não acho que telefones e Facebook sejam ameaças à civilização. Meus filhos adolescentes adoram navegar e mandar torpedos e não estão se saindo tão mal na vida. Na verdade, eles parecem mais sensatos do que eu e meus amigos adolescentes éramos nos anos 60 – pelo menos até onde posso me lembrar!

Também vejo um potencial positivo para as tecnologias digitais: elas podem nos ajudar a alcançar a paz mundial. Deixem-me explicar. Para acabar com as guerras, precisamos eliminar os meios para que elas aconteçam. A maior objeção ao desarmamento sempre foi o velho slogan: se as armas forem proibidas, somente os fora da lei terão acesso a elas. Em outras palavras, como as nações podem garantir que países, grupos ou mesmo indivíduos belicosos não se armem até os dentes?

Esse problema se tornou mais palpável em tempos recentes com o surgimento de cultos apocalípticos violentos, como a Al Qaeda. Até mesmo uma única pessoa, com conhecimento técnico adequado, pode causar grandes estragos. Lembra do Unabomber, o maluco que enviava bombas para cientistas e empresários na década de 90? Os esforços militares tradicionais não oferecem defesa contra pessoas que não têm base permanente e morrerão por sua causa. E não deveríamos depender de agências de inteligência do governo para ter informação. Então, o que fazer?

John Horgan

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