Não se engane com esse jeito de ursinho de pelúcia. O lóris lento javanês é um caso raro de primata venenoso e sua mordida pode até matar. Mesmo assim, são caçados e traficados como animais de estimação
Quando assisti ao vídeo pela primeira vez, lembrei minhas experiências com os lóris em seu habitat natural, principalmente de ver meu guia cambojano ser mordido por um lóris lento pigmeu (Nycticebus pygmaeus). O homem, um tipo rústico e hábil com a machete, entrou em pânico, jogou a bolinha de pelo no chão começou a chupar o veneno da ferida enquanto seu sangue pingava no chão. Imaginei que se obtivesse mais informações sobre o veneno do primata, poderia usá-las para demover os incautos da ideia de adquiri-lo como animal de estimação. Ano passado, estive na Ilha de Java para realizar um estudo de três anos sobre o porquê de os lóris serem peçonhentos. Cientistas descobriram que eles são capazes de produzir seu próprio veneno e que parte da receita é composta pelas toxinas que absorvem dos alimentos. A pergunta era por que eles precisam da peçonha, que é produzida de forma muito peculiar. Cada um de seus braços possui uma glândula branquial que produz um óleo marrom, espesso e mal-cheiroso. O líquido parece inofensivo, mas, quando misturado à saliva do primata, pode ser letal para pequenos animais, e até para seres humanos. Há registros de mortes de pessoas por choque anafilático após serem mordidas de lóris. |