As estrelas podem curar?

O material de que elas são feitas – o plasma – tem potencial para matar até o mais resistente dos vírus

BBC
Os relâmpagos geram o plasma, o quarto estado da matéria

O plasma – substância da qual são feitas as estrelas – tem potencial para revolucionar o combate a vírus letais, como o SARS, assim como poderá ser usado em tratamentos de problemas que vão das espinhas ao envenenamento por alimentos. Normalmente descrito como o “quarto estado da matéria”, o plasma não é sólido, nem líquido, nem gasoso, mas formado por um amontoado de partículas que se assemelha a uma nuvem de gás. Um número crescente de pesquisadores aponta que o plasma pode ser utilizado como uma ferramenta de combate aos micróbios, em apoio aos desinfetantes e aos antibióticos.

Ao contrário de outros tratamentos, o plasma parece ser relativamente inofensivo e, até agora, nenhum patógeno testado mostrou-se resistente a ele. Na sua última pesquisa, médicos do Instituto de Física Extraterrestre Max Planck (MPE) e da Universidade Técnica de Munique, ambos na Alemanha, descobriram quão efetivo no combate às doenças o plasma pode ser. Ele pode matar até mesmo o adenovírus, um dos vírus mais difíceis de serem combatidos e que é responsável por doenças como a pneumonia e a bronquite.

O plasma possui vários componentes – como átomos carregados (íons), moléculas, luz UV e moléculas altamente reativas (as chamadas espécies reativas) – e seu modus operandi ainda está sendo investigado. “Como ele mata microorganismos é uma das perguntas mais frequentes, claro, mas ainda não temos a resposta”, explica Julia Zimmermann, uma biomédica do MPE. “Acreditamos que seja a interação entre esses diferentes componentes que o torne tão eficiente".

Enquanto o plasma no interior do sol arde a centenas de milhares de graus, em temperatura ambiente ele é o “plasma frio”, cuja capacidade de combater doenças está sendo investigada na Alemanha. Testes clínicos já estão sendo feitos em centros médicos no país, usando o plasma para combater bactérias como o resistente MRSA em portadores de feridas graves e de difícil cicatrização. No momento, uma máquina do tamanho de um refrigerador gera o plasma. Mas um mecanismo bem menor, do mesmo porte de uma escova de dentes, está em desenvolvimento. A ideia é que ele gere plasma da mesma forma que o relâmpago faz – ionizando as moléculas em seu entorno.

A maquininha poderá ser usada sobre a pele para tratar espinhas, ou na comida, para matar bactérias como o E. coli, por exemplo. Com suporte da indústria, Zimmermann espera que tais equipamentos cheguem aos hospitais nos próximos dois ou três anos.

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